No âmbito da área transversal  de Cidadania & Desenvolvimento, no dia 15 de maio, os alunos das turmas TDCG2 e TGPSI2 e alguns alunos apoiados  no Centro de Apoio à Aprendizagem tiveram a oportunidade de participar numa visita ao Cinema Batalha, no Porto, acompanhados pela DT, Carla Monteiro, pelas técnicas do GAAF, Susana Penha e Ana Ramos, e pelas  professoras Rosa Silva e Isaura Almeida. Esta atividade, organizada pelo GAAF a convite do Projeto Aurora, teve como objetivo sensibilizar os alunos para o tema da Identidade através da visualização de cinco curtas-metragens que abordavam diferentes perspetivas da realidade nacional antes do 25 de Abril.

A sessão decorreu no emblemático Cinema Batalha, no Porto, um espaço que os recebeu de forma muito acolhedora e que se destaca pelo seu design moderno e apelativo, conjugando conforto com uma forte componente cultural e artística.

Assim que chegaram, os alunos foram convidados a conhecer o espaço,  a usufruir individualmente (usando fones) de algumas curtas-metragens em exposição, ou a tirar fotografias do mural de Júlio Pomar, os frescos que resistiram à censura da PIDE  e foram desocultados em junho de 2022. Após a chegada da outra escola, entraram na sala de cinema, recebidos pela equipa dinamizadora da atividade, que lhes deu as boas-vindas e fez uma prévia contextualização e esclarecimento sobre a sessão a que iam assistir, acessível a  invisuais com acesso a audiodescrição.

Seguiu-se a projeção de cinco curtas-metragens subordinadas ao tema Identidade, exibidas no contexto das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. As curtas abordaram temas relacionados com a forma de viver em Portugal antes da Revolução dos Cravos, permitindo refletir sobre as mudanças sociais, os direitos conquistados e a evolução da identidade individual e coletiva ao longo do tempo.

Das cinco curtas-metragens apresentadas, a mais marcante para os alunos foi aquela que retrata a vivência um miúdo que fugiu de casa na noite que antecedeu a revolução, refugiando-se na sede da PIDE, onde permaneceu na companhia de um cão. Acordou com pessoas aos gritos e pensou que tivesse sido a mãe a juntar uma multidão para ir à sua procura,  mas ao sair do edifício deparou-se com a revolução do 25 de Abril. Esta curta destacou-se pelo seu tom emocional e pelo modo como explorou a solidão infantil e a ausência de apoio familiar num dia tão simbólico para o nosso país. A forma como o protagonista tentava compreender o que o rodeava e dar sentido à sua própria existência tocou muitos dos presentes.

Outro filme a que não ficaram indiferentes consistiu numa espécie de ventriloquismo animado em que alguns objetos encarnavam a voz de pessoas especiais, os tipos-sociais do Porto de antigamente, destacando-se pelo seu carisma e pelas suas histórias como trabalhadores do mercado do Bolhão, por exemplo, mostrando que o que parece esquecido faz parte da identidade da cidade.

Por fim, não esqueceram a história do Homem do Lixo, um emigrante em França no período do Estado Novo a lembrar uma realidade muito dura de pobreza e desigualdade do nosso país, que fazia com que o desperdício de uns, os franceses, fosse a alegria de outros , a família do emigrante português, que vibrava com os objetos reparados que o emigrante trazia de cada vez que visitava a família: brinquedos consertados; peças de roupa usadas, mas lavadas e dobradas como se fossem novas; objetos decorativos…, testemunhos silenciosos de um homem que amava à distância, construindo laços com o pouco que tinha, e tentando transformar o lixo dos outros em esperança para os seus.

A sessão terminou com um momento de reflexão e partilha sobre as diferentes vertentes do tema Identidade exploradas nas cinco curtas-metragens.

Esta ida ao cinema foi, sem dúvida, uma experiência cultural e educativa marcante, que combinou história, reflexão, arte e convivência num ambiente inspirador. O contacto com estas histórias ajudou os alunos a compreender melhor o valor da liberdade e a importância de conhecermos o nosso passado para podermos construir o nosso futuro.

Daniel de Andrade, Miguel Costa,  Ricardo Moreira, Rúben Neves e Sérgio Costa, alunos TGPSI2

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